«Os Homens do Presidente» (ISLA 07/08): a ‘comunicação de crise’ não interessa aos políticos

October 28, 2007

Episódio nº 4 - «Os dois Bartlets» (ver a 7/11)

Trata-se do 13º episódio da terceira temporada (The two bartlets, no original)

Na linha do segundo tópico do episódio da semana anterior: quais são os limites de um assessor? até onde pode e de ve ir para defender as suas convicções (quando elas não são coincidentes)? Toby quer forçar o Presidente a pronunciar-se sobre determinada matéria e vai longe de mais, chegando a pôr em causa a relação de confiança (vai, no episódio seguinte, pedir desculpa).

Pequeno guia para compreende quem é quem em Os Homens do Presidente

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Joshua (’Jed’) Bartlet: o presidente (será substituído no final do segundo mandato por Matthew ’Matt’ Santos)

Abigail Bartlet: médica, é a mulher do Presidente;

Leo McGarry: o chefe executivo (corresponde genericamente ao primeiro-ministro, que não existe nos EUA; em Portugal corresponde ao chefe da Casa Civil, mas os poderes são muito maiores nos EUA); é o nº dois do governo federal, com muito mais poder do que o vice-presidente; [morre realmente durante as filmagens da sétima temporada, numa altura em que é o candidato a vice-presidente do candidato democrata Santos]

Tobias "Toby" Ziegler: é o director de comunicações da Casa Branca, o que na prática significa que a comunicação exterior da Casa Branca depende dele; é o estratega e o principal redactor de discursos da administração Bartlet; foi demitido de funções na sétima temporada;

Claudia Jean "C.J." Cregg: é a portavoz da Casa Branca nas primeiras seis temporadas e irá substituir Leo quando este fica doente; como portavoz é a cara/imagem da Casa Branca (só o presidente é mais importante nesse aspecto); será substituída por Will Bailey e Anabeth;

Joshua "Josh" Lyman: é o nº dois de Leo, como chefe-adjunto; é sobretudo a pessoa que trata da ligação da Casa Branca ao bipartidarismo norte-americano (republicanos e democratas), mas também se ocupa da construção das mensagens externas; na sexta série é o director de campanha do candidato democrata Santos e nos últimos episódios da sétima temporada é o seu chefe executivo;

Samuel "Sam" Seaborn: é o nº dois de Toby Ziegler; advogado, é um assessor dos bastidores; escrever discursos é a sua principal especialidade; desaparece da história na quarta temporada e reaparece como colaborador do novo presidente Santos, no final da sétima;

"Will" Bailey: é o substituito de Sam (temporadas 4 e 5), o chefe executivo do vice-presidente (5 e 6) e o director de comunicações no lugar de Toby (também foi portavoz na temporada 7 no lugar de C. J); escreve discursos;

Annabeth Schott: começou por ser assessora de Toby, como secretária-adjunta (temporada 6); depois trabalhou na campanha Santos/McGarry;

Bruno Gianelli: é o director de campanha (eleitoral) para a reeleição de Bartlet (3ª e 4ª temporadas) e não pertence à equipa da Casa Branca (embora disponha de grande poder); posteriormente desempenhará as mesmas funções na campanha (republicana) de Vinick (7ª temporada)

Josephine "Joey" Lucas: é a consultora política, da primeira à sétima série, responsável pela realização das sondagens; uma verdadeira especialista; (é, tal como a actriz Marlee Matlin, surda, o que implica a presença, nem sempre bem compreendida de um intérprete) 

 A lista completa está aqui:

October 21, 2007

Episódio nº 3 - «As mulheres de Qumar» (ver a 31/10)

Trata-se do 9º episódio da 3ª temporada, como título original de «The women of Qumar»

Dois tópicos essenciais para este episódio:

1) Avizinha-se uma crise (com a doença das vacas loucas nos EUA) e a dúvida é esperar pelos resultados definitivos ou dizer já. «A informação gera confiança; o silêncio gera medo», ouve-se dizer;

2) Até que ponto as convicções do assessor podem chocar com os interesses do protagonista, quando são contraditórios? O assessor pode tentar influenciar, mas no limite perderá sempre. E não deve deixar transparecer que a sua opinião é diferente.

Nota aos alunos

1) O visionamento dos episódios seleccionados da série Os Homens do Presidente é obrigatório, independentemente do esquema de avaliação que os alunos escolham.

2) Por outras palavras, se optarem por elaborar aquilo a que aqui se chamou de «relatório» (e que vale 30 % da nota semestral) ou se preferirem fazer um teste global no final do semestre (que vale 100%) a matéria derivada de Os Homens do Presidente estará sempre presente.

3) Que matéria é essa: selecionados os episódios, os alunos são convidados a ter em atenção os tópicos (as cenas…) que se relacionem directamente com a matéria do semestre, tópicos esses que são enunciados previamente neste blogue, como guião para o visionamento. Esses tópicos (essas cenas) serão sempre equacionados, directa ou indirectamente, à luz desta ideia: a verdade da ficção em Os Homens do Presidente

4) Trata-se, evidentemente, de uma série de ficção. Mas apenas ficção? São muitos os que concordam com esta ideia: nunca, até antes, a ficção se tinha aproximado tanto da realidade; até que ponto?; o que será pura ficção e o que poderá/poderia ter sido verdade?

5) A biblioteca do ISLA vai ter a série disponível para os alunos que não possam ver determinado episódio (daí tratar-se de visionamentos obrigatórios), embora eu próprio vá promover visionamentos-extra, com os episódios anteriores; esta semana faremos o primeiro. De qualquer forma, na avaliação não haverá a referência a nenhum episódio ou cena específica.

6) Os alunos têm uma outra alternativa ao visionamento, no caso de não conseguirem mesmo ver: na barra de ligações deste blogue estão dois «sites» com transcrições (em inglês) dos diversos episódios. Não há as imagens, mas há - o mais importante neste contexto - o texto dos diálogos.

October 7, 2007

Episódio nº2 - «O Jantar de Estado» (ver a 24/10)

Trata-se do 7º episódio da 1ª temporada, como título no original de «The State Dinner»

Nele antecipa-se aquilo que é descrito como «um desastre de relações públicas»; percebe-se como é elaborar um discurso e como decorre o «briefing» diário com os jornalistas; como trabalha a assessora de imprensa (porta-voz) e o que faz para que os jornalistas não saibam

Episódio nº1 - «Episódio piloto»

Episódio nº1 da 1ª temporada; no original «Pilot»

Serve essencialmente de apresentação da própria série, dos protagonistas e do cenário central (a ala oeste da Casa Branca)

Algumas notas metodológicas

1) Dos 155 episódios serão exibidos – em previsão – cerca de 22, cada um correspondendo a pelo menos um ponto da matéria que nos interessa acompanhar (à excepção do primeiro episódio, que funciona naturalmente como apresentação). No final doe cada semestre, em data previamente definida e anunciada, cada aluno terá de apresentar um relatório em que desenvolva – a partir dos vários episódios/casos que viu – o tema proposto «A verdade da ficção». A partir do tema (que é sobretudo uma ideia, um conceito abrangente, um ponto de partida), cada aluno deve prosseguir o seu caminho, tendo como guia os temas ligados com o marketing (político) e as estratégias de comunicação;

2) Há diversa informação na Internet, oficial e oficiosa, sobre «Os Homens do Presidente» que os alunos podem e devem convocar para o seu relatório (desde que relacionada com a matéria);

3) Os relatórios, a enviar por e-mail, não devem exceder as 10 páginas A4 (não há mínimo), podendo incluir informações não exclusivamente escritas;

4) Não se pede aos alunos que manifestem apenas a sua opinião; de alguma forma isso até secundário. O importante é que os alunos reflictam sobre o que viram, seja verdade ou ficção. Quantas vezes a realidade não imita ou mesmo ultrapassa a ficção?

5) O ISLA vai adquirir os episódios das sete temporadas, mas o docente poderá emprestar - em caso de dificuldade - os seus para visualizações colectivas a cargo dos alunos;

Sobre A verdade da ficção em «Os Homens do Presidente»

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Nunca uma série de ficção tinha exercitado os mecanismos do poder como «Os Homens do Presidente». Entre 1999 e 2006, durante sete temporadas, o argumentista Aaron Sorkin mostra (aquilo que será) os bastidores do poder na Casa Branca (como alguém disse, uma visita íntima aos lugares do poder).

Há duas vertentes fundamentais nesse exercício: os instáveis equilíbrios de forças entre o poder presidencial (no caso, eleito pelo partido democrático) e o poder legislativo (o congresso e o senado, de maioria republicana) e as relações entre esse mesmo poder e a comunicação social. É esta a vertente que nos interessa no contexto lectivo de «Os Homens do Presidente».

As sete temporadas retratam os dois mandatos de Joshua (Jed) Bartlet como presidente dos Estados Unidos. A história começa com Bartlet eleito – já na Casa Branca – e prossegue com os esforços diários para manter a popularidade em alta, ser reeleito e sair de Washington DC como um presidente de que os norte-americanos se orgulhem.

Não é por acaso que do elenco-chave, que não chega a dez personagens, cerca de metade se ocupe directa ou indirectamente das relações com os jornalistas, com os discursos, com a preparação das mensagens – com as estratégias de comunicação.

Em «Os Homens do Presidente» vemos as conferências de imprensa diárias e a sua preparação, vemos a análise do que dizem os (principais) jornalistas, vemos a preparação dos «soundbites», a análise do que resulta e do que está a falhar e até como mentir aos jornalistas. Sondagens, «focus group», fugas de informação e (tentativa de) manipulação da informação são instrumentos diários.

É nisto que «Os Homens do Presidente» é uma série única. Como se não bastasse, há ainda umas eleições (que decidirão o sucessor de Bartlet), com tudo o que isso significa ao nível do marketing eleitoral na «democracia mais poderosa do mundo».

Também há, claro, intriga, paixão, comédia e até suspense. Mas isso só faz de «Os Homens do Presidente» a série de ficção mais premiada na área dramática. Sim, porque «Os Homens do Presidente» é uma série de ficção. E é por aí que se pede que os alunos sigam: que vejam os diversos episódios que serão escolhidos e reflictam sobre a verdade da ficção.






















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