Nunca uma série de ficção tinha exercitado os mecanismos do poder como «Os Homens do Presidente». Entre 1999 e 2006, durante sete temporadas, o argumentista Aaron Sorkin mostra (aquilo que será) os bastidores do poder na Casa Branca (como alguém disse, uma visita íntima aos lugares do poder).
Há duas vertentes fundamentais nesse exercício: os instáveis equilíbrios de forças entre o poder presidencial (no caso, eleito pelo partido democrático) e o poder legislativo (o congresso e o senado, de maioria republicana) e as relações entre esse mesmo poder e a comunicação social. É esta a vertente que nos interessa no contexto lectivo de «Os Homens do Presidente».
As sete temporadas retratam os dois mandatos de Joshua (Jed) Bartlet como presidente dos Estados Unidos. A história começa com Bartlet eleito – já na Casa Branca – e prossegue com os esforços diários para manter a popularidade em alta, ser reeleito e sair de Washington DC como um presidente de que os norte-americanos se orgulhem.
Não é por acaso que do elenco-chave, que não chega a dez personagens, cerca de metade se ocupe directa ou indirectamente das relações com os jornalistas, com os discursos, com a preparação das mensagens – com as estratégias de comunicação.
Em «Os Homens do Presidente» vemos as conferências de imprensa diárias e a sua preparação, vemos a análise do que dizem os (principais) jornalistas, vemos a preparação dos «soundbites», a análise do que resulta e do que está a falhar e até como mentir aos jornalistas. Sondagens, «focus group», fugas de informação e (tentativa de) manipulação da informação são instrumentos diários.
É nisto que «Os Homens do Presidente» é uma série única. Como se não bastasse, há ainda umas eleições (que decidirão o sucessor de Bartlet), com tudo o que isso significa ao nível do marketing eleitoral na «democracia mais poderosa do mundo».
Também há, claro, intriga, paixão, comédia e até suspense. Mas isso só faz de «Os Homens do Presidente» a série de ficção mais premiada na área dramática. Sim, porque «Os Homens do Presidente» é uma série de ficção. E é por aí que se pede que os alunos sigam: que vejam os diversos episódios que serão escolhidos e reflictam sobre a verdade da ficção.